Saturday, November 14, 2015

Reflexão

Nos últimos dois meses eu tenho pensado muito sobre o sentido da vida, o papel que cada pessoa tem no mundo. Os "por quês".

Eu estou descobrindo muita coisa sobre as pessoas e principalmente sobre eu mesma. Com isso, mais por quês aparecem numa tentativa de entender as pessoas e entender o funcionamento do mundo. Isso é um tanto desgastante, mas prazeroso quando a gente finalmente entende algo.

Eu tenho andado assim; num questionamento constante, acreditando piamente em caminhos e, aos poucos, descobrindo respostas. Espero que isso esteja me fazendo crescer como ser humano. Espero poder ajudar pessoas com o conhecimento que estou adquirindo agora e que vou adquirir diariamente pelo resto da minha vida.

Preciso de mais tempo para digerir o que realmente busco e o que vou encontrando pelo caminho antes de poder escrever mais sobre isso.

Eu só espero ter força física, mental, emocional e espiritual para me manter estável o suficiente e atingir as diversas metas a que me propus. Desejem-me sorte!

Wednesday, September 16, 2015

Tiger

Eu estava louca para ler o livro da Amy Chua, "O Grito de Guerra da Mãe Tigre" a muito tempo. Lembro do "sururu" que ocorreu quando o livro saiu, mas levei anos para realmente procurá-lo e lê-lo. Finalmente comprei a minha edição na Bienal Internacional do Livro no Rio de Janeiro.



A Amy Chua é uma mãe sino-americana, criada por pais chineses em um estilo tradicional. Os pais sempre exigiram excelência de todos os filhos visando um futuro excelente para todos. Amy Chua formou-se em Direito em Harvard, foi a líder da revista de Direito da universidade, uma das publicações mais prestigiadas dos EUA e tornou-se professora em Yale. Apesar de ter se casado com um judeu, criou suas filhas no estilo chinês, com a mesma exigência a que foi submetida e também com o mesmo objetivo e é essa a história que ela conta no livro.

A meu ver, a professora Chua é muito extremista no sentido de levar muita tensão para dentro de casa o tempo inteiro, exigindo das filhas treino quase ininterrupto. Essa parte eu achei complicada porque casa é lugar para relaxar. Ainda que seja necessário passar horas estudando ou trabalhando em casa, o nível de tensão precisa ser menor, sem discussões, sem gritos, sem barulhos.

No mais, não a achei louca de forma alguma! Pelo que entendi, o modelo chinês de criação dos filhos visa o sucesso das crianças. Os pais fazem o melhor que podem para coloca-los em boas escolas, proporcionam melhor material possível para que estudem e se saiam muito bem. Eu não vejo o que tem de errado nisso para tanta gente criticar. Na minha casa, minha mãe tomava os meus livros para que eu não estudasse depois da escola e meu pai ameaçava queimá-los quando eu pedia que ele diminuísse o volume da tv para que eu pudesse ler. Por que isso não é considerado errado?

Sobre o livro, eu entendi que o foco do modelo de educação chinesa é preparar o filho para o mundo; habilitá-lo de todas os conhecimentos possíveis; mostrar que, com esforço, ele pode ir muito longe; coisas boas vem com trabalho árduo; deve-se sempre fazer o melhor. Os pais chineses - baseio-me aqui no livro da Amy Chua - tem como meta apresentar ao filho as opções e treiná-lo para que, mais à frente, ele seja capaz de escolher um caminho e se sair bem sem arrependimentos ou frustrações.

Eu sempre amei estudar. Não me é um sacrifício. Infelizmente eu nunca tive apoio emocional ou financeiro dos meus pais para estudar o tanto que eu gostaria para ter sucesso. Minha avó me ajudou muito, mas era muito difícil ainda assim. Era uma verdadeira guerra para que eu conseguisse fazer um dever de casa porque minha família queria que eu fosse como todo mundo: visse tv o dia todo.

Reparei como era com os meus amigos e, invariavelmente, acontecia a mesma coisa. Os pais querem que os filhos estudem, mas acabam enjoando de vê-los estudar depois de um tempo: interrompem, pedem que façam outras atividades no meio dos estudos; incentivam para irem passear ao invés de estudar num final de semana. Importar-se pouco com a Educação faz parte da cultura do Brasil. É uma cultura de comodismo, de conformismo.

Há também o pensamento de que o Ensino Médio é o suficiente. Ao fim dele, o filho deve trabalhar pra ajudar em casa. Ou ainda que vá a uma faculdade, mas a prioridade é que trabalhe e estude à noite. Estudando à noite depois de um dia inteiro de trabalho, o aluno não pode se dedicar aos estudos como seria apropriado. Faz-se o mínimo necessário e só.

Eu não sei porque ninguém critica isso, mas criticam uma mãe que oferece todas as oportunidades às filhas e lhes cobra na mesma medida em que lhes dá. Li o livro e fiquei com muita inveja. Fiquei pensando onde eu estaria hoje se tivesse nascido em uma família chinesa ou que fosse criada por uma mãe-tigre independente da nacionalidade. Por mais ridículo que seja, hoje eu tenho 26 anos, vivo com o meu pai e continua sendo uma batalha para eu conseguir estudar e me dedicar ao que eu escolhi fazer. Quando sento com um livro e um caderno nas mãos, meu pai senta imediatamente no mesmo cômodo e começa a falar sem parar, pedir mil favores, faz diversos barulhos. Basta que eu largue tudo e ligue a tv para ele se calar e ir embora.

Eu sempre tive a impressão de que meus pais me sabotam. Quando minha mãe ainda era viva me sabotava para que eu nunca me saísse melhor do que a minha irmã, já que a filha favorita sempre foi a minha irmã. A preferência era declarada e aberta. Meu pai já sabota por egoísmo. Tem medo de que eu me saia bem, vá para longe e ele fique sozinho. Ele prefere que eu seja fracassada e infeliz perto dele, a ser feliz e bem sucedida longe. Pelo menos essa é a interpretação que tenho pela forma de agir dos meus pais e pelas coisas que eles sempre falavam.

Nas famílias de amigos e conhecidos também há essa necessidade dos pais prenderem os filhos em casa a qualquer custo e pelo máximo de tempo possível. Faz parte da cultura Latina. É mais aceitável que saiam de casa casados e com filhos do que para estudar longe.

Não me entendam mal. Não quero culpar meus pais por todos os problemas da minha vida. Mas devo pontuar que, como pais, eles não cumpriram o papel deles de mostrar o "mundo" e, principalmente, o de ensinar. Isso tudo eu tive que descobrir e aprender sozinha. Está levando mais tempo do que levaria se eles tivessem cumprido o seu papel, mas cabe a mim continuar me esforçando e não me acomodar, não tomar partido do pensamento cultural de conformismo do meu país.

Sunday, September 13, 2015

Olá!

Hoje é meu aniversário de 26 anos.
Eu gostaria de compartilhar algo que li a alguns dias e que me diz tanto em tão poucas linhas! Não vou colocar as mil coisas que passaram pela minha cabeça ao ler isso ou a trocentas interpretações que dei a cada vez que li (e sim, li muitas vezes). Vou deixar que os visitantes desse blog quase nunca visitado tenham seus próprios pensamentos e interpretações.

O texto e a imagem foram retirados da page do Facebook berlin-artparasites. Recomendo que os fãs de Arte e Literatura sigam a página.

"Listen to me, your body is not a temple. Temples can be destroyed and desecrated. Your body is a forest-thick canopies of maple trees and sweet scrented wildflowers sprouting in the underwood. You will grow back, over and over, no matter how badly you are devastated."
                                                                             
                                                                                              - Beau Taplin


Painting by Kwon Kyung Yup


Um beijo e tenham todos uma excelente semana.

Saturday, September 5, 2015

Beija-Flor

Eu gosto tanto das músicas do Barão Vermelho e do Cazuza. Sempre choro quando ouço essa música. Estive pensando no por quê e acredito que eu me identifique demais com os últimos versos.

Você sonhava acordada
Um jeito de não sentir dor
Prendia o choro e aguava o bom do amor
Prendia o choro e aguava o bom do amor

Agradeço sempre a Deus por poder ouvir. Tem muita música linda para se ouvir no Brasil e no mundo. 


Monday, August 31, 2015

"De Baixo"


Uma amiga veio me visitar ontem. Batemos o maior papo e, durante esse papo, a novela da Record "Os 10 mandamentos" virou tema.

Ramsés, o Grande, é visto historiograficamente como um dos melhores e principais faraós do Egito. Apesar dos momentos de crise, foi um dos faraós mais amados. Eu estava comentando com essa amiga que a novela, por ser de uma emissora vinculada diretamente a uma igreja (Igreja Universal), retrata os egípcios como os grandes vilões, dando à maioria deles características e personalidades bem ruins, ao passo que, aos judeus são atribuídas todas as virtudes. Falei que até entendo o fato da novela ser baseada na Bíblia, mas as coisas não são facilmente distinguíveis como polos opostos como Bom X Mal. O ser humano não é um ou outro; as coisas não são tão simples.

Essa minha amiga olhou pra mim e disse "Ramsés foi amado e um bom faraó para os egípcios. O que ele foi para os judeus, que eram a ralé da sociedade, os escravos?"

Isso me levou a pensar e pensar... De modo geral, a gente assume um ponto de vista sobre um assunto e esquece que há outras formas de enxergar a mesma situação.

Frente a uma história ou História, a gente fala "eu entendo o lado dela(e)". Será que entende mesmo? Será que a gente entende a responsabilidade que vem com essa afirmação? Será que entendemos o real significado dessa frase? Será que a gente tenta realmente entender ou só fala isso para se livrar de um peso?

Eu tenho pensado muito sobre o significado de coisas que as pessoas falam, dos pontos de vista delas situações desde que uma outra amiga veio me visitar em janeiro, mas isso é história para outro post.